domingo, 16 de março de 2014

RECRÔNICA DO BRAGA


Ao ler uma crônica de Rubem Braga, sobre o córrego do Amarelo, em que constatou sobre a morte do córrego (se é que já não morreu, pois não vou àquelas bandas), e, consequentemente, rios, nascedouros estão definhando, pensei que como os seres humanos estão no mesmo caminho.

E uns ignorantes poderão perguntar: 

- Ora, Sr. Lins, as pessoas morrem e isso é normal! 

- Sim, eu sei que é normal as pessoas morrerem. E, olhe, que hoje, as pessoas não morrem por questões de doenças somente, mas morrem de tiro (assassinato, homicídio, suicídio etc) não quero aqui detalhar os mais diversos tipos de morte moderna, não! Detalho como as pessoas morrem e estando vivas! Mortos vivos!

Hoje, as pessoas morrem antes mesmo dos órgãos vitais pararem de pulsar.

As pessoas morrem quando não sorriem, quando não dão um bom dia ou se admiram com a chuva que cai, com o frio que sentem (e isso em Cachoeiro de Itapemirim é um privilégio!). 

As pessoas morrem quando deixam de serem próximas das outras e se fecham no ataúde da solidão, acho ser um protecionismo falso, pois a proteção verdadeira proteção se dá com o sorriso do próximo, a conversa sobra fatos do dia: as manchetes do jornal, o capítulo da novela, o bolo que ficou uma delícia, os acontecimentos da rua, do bairro, da cidade, enfim...

As pessoas estão morrendo sim, mas não é de morte natural, é de outra morte, a mais dolorida é a morte da educação, do ser solidário e é uma morte que a própria pessoa vai se vendo descer à sepultura e com seu consentimento.

Quero morrer sim, mas daquela em o doutor assina a Certidão de Óbito, mas não um obituário assinado por mim. E você quer morrer de quê?

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